segunda-feira, 2 de novembro de 2009

San Telmo, La Boca E Evita

Acordamos um pouco mais tarde depois da passagem no Faena em nossa noite anterior, na torcida para não chover. Desde q chegamos isso é uma ameaça iminente e estraga um pouquinho nossos planos de fazer quase tudo caminhando por Buenos Aires. Parece difícil não acontecer, mas até agora tivemos sorte.
Nem preciso dizer sobre as medialunas, estoy viciada, e foi numa especie de rotisserie aqui mesmo em Palermo, do lado do Hotel, q vende comidas prontas, frios, temperos, compotas e... medialunas deliciosas.
Já tínhamos passado em frente outras ocasiões, mas estava sempre fechada. Ontem foi o contrário, nosso botequinho de cervejas e medialunas estava fechado e essa rotisserie aberta. E foi outro deleite de medialunas "recien horneadas".

10 pesos por um desayuno delicioso em Buenos Ayres (5 reais aproximadamente)

Depois do café da manhã (ou seria da tarde?) caminhamos um pouco e tomamos um taxi para San Telmo pq a Bombonera fica relativamente perto e queríamos fazer o trecho pro bairro a pé logo depois do almoço.
No caminho a pé muitas, mas muitas  barracas de flores, frutas e verduras. Uma delícia de ver!



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Domingo é o melhor dia para ir a San Telmo, bairro q fica ao sul de Buenos Aires onde a concentração de antiquários e galerias de arte deixa qq um maluco, apesar dos preços não serem tão atrativos para o bolso brasileiro qto dos restaurantes.
Segundo dados de uma matéria q li na Folha são mais de 30 antiquários entre 200 pontos comerciais q promovem tb vários leilões além da venda direta.
Passear na rua principal pelas barracas e lojas é obrigatório. Reserve um bom tempo para fazer tudo isso e comer e beber por aqui.


Esse bairro q conserva a antiga Buenos Aires caracteriza-se por construções da época colonial, casarões, ruas de pedras. Dá ainda para conhecer antigas igrejas e museus além de uma das mais tradicionais casas de tango da cidade, a El Viejo Almacén, que oferece jantar e show, mas isso não seria possível da gente encaixar em tanta coisa q gostaríamos de fazer pelo bairro e arredores, então estabelecemos algumas prioridades e, lamentavelmente, excluímos outras.









Andamos por todo bairro, curtimos os shows divertidos dos artistas de ruas – dançarinos de tango, estátua viva, shows musicais (e vimos até uma senhora sexagenária multi-instrumentista muito engraçada). E outros nem tanto como os músicos de sons peruanos, mas esses ficam mais pra cima qdo a rua principal sai do epicentro do bairro.

 


Combinamos de almoçar no La Vineria de Gualterio Bolivar, muito indicado por sites e blogs no Brasil, inclusive a revista Food & Wine o escolheu com um dos top 20 do mundo, mas não reservamos mesa antecipadamente e fomos recepcionadas como duas extra-terrestres ao batermos na porta (trancada!) do local e solicitarmos uma mesa. Prepotência talvez do tempo em que o chef Alejandro Digilo passou ao lado do Papa Ferran Adrià no El Bulli.


Não quero aqui queimar nenhuma oportunidade q possa ser boa até pq pode ter sido apenas uma má impressão da nossa parte. Quem sabe não vale apena vc eleger o local q serve comida com fundamentos da cozinha molecular e ir à forra aceitando a sugestão da casa para harmonizar um menu que tem 11 passos – por incríveis 130 reais por pessoa?
Vá lá anyway, mas reserve com muiiiiiita antecedência senão leva bronca e porta na cara!rsss
Outra opção nossa, q passou de lanche para almoço, era comer as famosas empanadas argentinas. Não vi nenhuma mulher vendê-las na rua com a Ale do Comidinhas falou, então elegemos um “boteco de esquina qq” na rua principal onde a especialidade era esse salgado. Aí pensamos q essa delícia e uma Quilmes bem gelada seria a melhor opção diante da nossa fome e da frustração anterior. E foi o q fizemos. Eu fiquei um pouco decepcionada no início pq a q minha amiga pediu pra mim veio em massa folhada, um pecado sem precedentes em relação a massa tradicional, minha 2ª e acertada escolha.


E dali curtimos San Telmo pela janela, descansamos da caminhada matinal e partimos em busca da sobremesa - helados.
Resolvi abrir mão do sorvete da Freddo tb presente no bairro para provar outra sugestão da Alessandra Blanco – os sorvetes da Nonna Bianca, na Estados Unidos, 407.
O lugar é uma simpatia, adorei os sorvetes q escolhemos – eu de doce de leite, claro, e minha amiga de zambaione (e confesso q se tomássemos 3 bolas deste a gente ficaria bêbada de tão forte q era o licor onde as passas deste sorvete foram curtidas...).

Super válido pra conhecer, ainda mais estando em San Telmo. E se vc tiver de notebook dá pra ficar navegando por ali pq o local tb tem wi-fi. Mas a Freddo ainda é minha sorveteria preferida! Sorry.

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A pé mesmo fomos até o bairro de La Boca, na periferia de Buenos Aires, q fica relativamente perto de San Telmo e originalmente, foi o local do primeiro porto de Buenos Aires.
No caminho muita coisa legal pra ver...







Pit stop rápido no estádio La Bombonera do Boca Juniors (arquiinimigo do River Plate) pra comprar artigos esportivos e atender o pedido do meu filho mais velho q coleciona camisas de futebol e pouco liga para a rivalidade entre brasileiros e argentinos.


 


Ainda a pé, fomos em direção ao El Caminito.
A região, no início do século XX recebeu uma quantidade enorme de imigrantes, principalmente italianos q, com poucos recursos financeiros, começaram a construir casas com chapas de zinco e madeira acima do solo para evitar as freqüentes inundações q ocorriam na época. E as cores fortes q pintavam era pq utilizavam as sobras de tinta dos barcos que ancoravam no porto. Uma espécie de leitura diferente dos nossos cortiços.






Além das casas coloridas, característica inconfundível do bairro, o hoje fedorento, abandonado e poluído Riachuelo, os barcos velhos, a antiga ponte de ferro em desuso e as edificações na outra margem do rio completam uma paisagem bem diferente da parte do Prata restaurado – Puerto Madero. De uma tal forma q nem os bares, cafés, cantinas, restaurantes e o famoso El Caminito puderam me convencer de q seria bom permanecer mais q 1 hora por ali. Nem q seria recomendado andar por ali à noite.

 
Paramos no Café Bar Filiberto, na Magallanes - 826,  para matar a sede e observar de forma mais confortável esse bairro tão boêmio qto o q estávamos antes. Se é q os outros bairros de Buenos Aires tb não tenham sua porção boêmia tb, afinal a cidade respira isso.


E foi no Filliberto tb q provei o q considero o melhor alfajor Argentino - o El Cachafaz. Descarado, como o próprio nome diz, de tão gostoso.
Esse vc não encontra tão fácil qto o Havanna, maior concorrente em todos os sentidos comerciais, só em quiosques. Nem no freeshop do aeroporto, onde a Havanna domina. Portanto fique esperto e garanta o seu. É indiscutívelmente mais gostoso q os demais, conhecidos ou não.
Resumo da ópera, ops, resumo do tango, vale apena conhecer esse lado da cidade q tb possui várias lojinhas onde se encontra quinquilharias para turistas, como chaveirinhos e coisinhas para levar para casa, além de artistas de rua, manifestações diversas e muita, muita gente!



E com o entardecer de um dia intenso de passeio, novamente tomamos um taxi e fomos em direção a Palermo. Mas no caminho resolvermos continuar o longo dia e visitar o Museo Evita.




Inaugurado em 2002, aos 50 anos da morte de Eva Perón, o Museu homenageia a mulher mais importante da Argentina. Sua infância, carreira artística e vida política, tudo está representado ali.
O elegante casarão sobrado do início do século 20 q abriga todo acervo fica no bairro de Palermo e era usado pela Fundação Eva Perón como hotel de trânsito para mulheres que pernoitavam na capital. Após o golpe de Estado que derrubou Perón em 1955, a propriedade virou um escritório do Ministério da Saúde.
Caçula de cinco irmãos nasceu em Los Toldos e com 15 anos foi para Buenos Aires em busca do sonho de ser atriz. Em 1945 se casou com o então secretário do Trabalho e da Previdência, Juan Domingo Perón.
Como primeira dama criou a fundação homônima e passou a lutar pela causa das mulheres e dos mais pobres. Isso a tornou muito popular entre as classes mais baixas e, ao mesmo tempo, criticada e desprezada pela elite, que reprovava (ou invejava) o populismo do casal Perón.

uma passada pela cozinha e seus equipamentos de época é imprescindível para os amantes de gastronomia

Além de querer conhecer mais dessa história e revistar sua trajetória em vídeos e objetos expostos ali, o q nos motivou muito tb foi poder conhecer o excelente restaurante q o local abriga - o Museo Evita Restaurant, a cargo da chef Claudia Aboaf.
Ali é possível provar a autêntica comida Ítalo-Porteña descrita num cardápio conciso e delicioso, primorosamente feita com técnicas da alta gastronomia, num ambiente clássico e muito acolhedor, principalmente na parte externa, onde ficamos.


Entre as várias opções, é possível escolher entre um desayuno, um almuerzo ejecutivo, tarde de té ou uma crêpe salada (nossa acertadíssima escolha acompanhada de um prosecco!) ou dulce. Uma chef prepara bem aos seus olhos numa charmosa barraca e ao estilo francês.


Nessa tarde estava tendo uma festa de aniversários entre amigas e o bolo de aniversário, q provavelmente foi feito pela confeitaria do lugar, era lindo! Vi no site q é possível fazer reservas para grupos.
Para conhecer uma parte importantíssima da história argentina, visitar por dentro uma das mansões mais bonitas de Palermo, comer bem como em outros vários restaurantes da cidade, tudo isso num mesmo lugar e gastando bem pouco, esse é um passeio imperdível!
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Teve ainda uma rotisserie incrível na volta do museu a caminho do hotel, mas estou corrida preparando o último dia de Buenos Aires, e acho q fiz um post enorme, vou deixar pro próximo, ok.
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Contamos qtos quarteirões andamos ontem, refazendo o trajeto do dia num mapa turístico e chegamos a conclusão q comemos muito pouco perto da energia q gastamos para percorrer mais de 17 km a pé...
Até mais com outras dicas de Buenos Aires.
Besos.

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