segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Flores de abobrinha

Sentada aqui para escrever o post de hoje eu procurava um assunto diferente e bacana pra desenvolver (e em gastronomia é muito dificil não encontrar, não é mesmo?). Mas é q tudo nesta época é sobre natal e eu queria algo diferente disso.
Foi qdo li o post no blog do Paladar sobre flores de abobrinha escrito pela Janaina Fidalgo e decidi q esse seria meu tema de hoje, até pq há muito queria falar sobre o assunto e não tenho nada escrito aqui sobre essas belezinhas comestíveis q, quando novinhas e próprias para o consumo são assim...



e quando não servem mais para os pratos mas apenas para efeitar o jardim, são assim ...



Incrivelmente, sou neta de italianos de uma família q não dá a mínima para a comida nem trouxe consigo a tradição da culinária italiana, exceto pão, macarrão, sabão...rsss. Ainda assim, de maneira muito prática, normal e sem variação.
E acho q ter me dado bem em gastronomia é, antes de qq coisa, preencher essa lacuna da família Mazzinelli (eu sou Macineli pq meu bisavô alterou o sobrenome para imigrar ilegalmente pro Brasil, assunto pra outro post).

Meus avós Julia e José

Cresci em Presidente Bernardes com meus avós numa área rural, onde plantavam e comercializavam café e, entre as fileiras repletas de pés e mais pés desse fruto, em torno do terreno e nas redondezas da casa, eles aproveitavam para plantar e criar outros alimentos para nosso próprio consumo.
Tínhamos pomar com várias frutas, criação de porcos e galinhas e uma horta bem variada onde eu via as tais flores das abobrinhas, mas nunca soube q eram comestíveis... até voltar para São Paulo, já adulta.


Nossa chácara em Presidente Bernardes

Há uns meses atrás assisti o Jamie Oliver fazer as flores de abobrinha assadas com legumes em seu forno a lenha e revivi os tempos de Bernardes.
Lembrei da minha falta de herança gastronômica num berço familiar tão diverso quanto é o italiano e lamentei até pelo q eu não lembro de não ter experimentado. Tantas coisas e sabores completamente à nossa disposição q, por falta de conhecimento, não foram explorados.
E as flores de abobrinha, de alguma forma, simbolizam o q eu não tive, o q eu perdi.
Por isso foi uma das primeiras coisas q quis preparar qdo me aprofundei no conhecimento gastronômico.
E falar delas, cozinhá-las, é reconstruir de alguma forma das minhas raízes e utilizar com grandiosidade algo q vi nascer e morrer diversas e diversas vzs.
Então vamos à receita q é hoje uma das q eu tenho mais carinho em preparar.

Risoto de bacalhau e flores de abobrinha

Ingredientes
1 xícara de chá de arroz arbóreo (ou carnaroli se vc gostar)
¼ de cebola picadinha
200g de bacalhau desfiado e dessalgado
1 lt de caldo de legumes ou de cascas de camarão (tipo bisque) preferencialmente fresco
1 xícara de vinho branco seco
10 a 15 flores de abobrinha frescas limpas, lavadas e escorridas
6 colheres de sopa de azeite extra virgem
flor de sal à gosto
pimenta-do-reino moída na hora à gosto
1/2 caixinha de creme de leite

Modo de preparo
Em uma panela refogue a cebola no azeite até dourar. Acrescente o bacalhau desfiado e frite tb.
Coloque o arroz, refogue tudo e adicione o vinho, deixando evaporar por completo. Cuide para q o fogo não queime.
Acrescente o caldo quente aos poucos sem parar de mexer, porém com suavidade, até cobrir a mistura. Acerte o sal, cozinhe e vá experimentando o ponto do arroz q deve ser macio mas al dente e, assim q atingir essa etapa (aproximadamente uns 15 minutos), desligue o fogo e adicione o creme de leite misturando tudo com delicadeza.
Coloque as flores de abobrinha e agregue (reserve umas 5 para decorar).

Deixe descansar por uns minutinhos e transfira o risoto para uma travessa, colocando as flores de abobrinhas reservadas para decorar o prato.
Regue com azeite e pimenta moída e tampe para q o calor cozinhe as flores de fora tb.
Sirva em seguida com parmezão ralado se preferir.

Excelente harmonização com um vinho branco frisante levemente adocicado.

Bjs.

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